terça-feira, dezembro 06, 2005

Praxe: humilhação e autoritarismo


Os resultados do concurso nacional de acesso ao ensino superior já são conhecidos. Apesar de terem ficado muitos alunos de fora, a grande maioria foi colocada. E, para estes últimos, começa uma nova etapa da vida. Muda-se de cidade, sai-se pela primeira vez da casa dos pais, vai-se viver sozinho e seguem-se caminhos diferentes da maior parte dos amigos.
Quando se chega à universidade, deparamo-nos com um grupo de estudantes chamados “veteranos”, vestidos de negro, ansiosamente à espera do “caloiro” para o ajudar a integrar-se na vida académica. A este são impostas uma série de práticas, denominadas de praxes, pautadas pela violência, a humilhação e a subjugação, onde a liberdade e a autonomia individual são desrespeitadas.
Os defensores destas práticas medievais argumentam com a tradição, integração e afirmam que o novo aluno pode recusar participar na praxe.
Por conseguinte, e visto que a maioria das instituições de ensino superior não têm mais de 20 anos, que tradições podem ter nesse campo e, por outro lado, não devem as tradições adaptar-se à dinâmica dos tempos? Em relação à integração, como podemos fazer amizade com os colegas em ambientes de terror e medo? Como nos podemos sentir integrados, quando sujeitos aos devaneios déspotas de colegas com um número superior de matrículas? A verdadeira amizade constrói-se na rotina do dia-a-dia, num ambiente saudável, onde os mais elementares direitos humanos são respeitados.
Sendo a praxe opcional, porque razão os alunos são ameaçados de ostracização e exclusão caso se recusem a participar? As ameaças são de vários tipos, chegando mesmo, na Universidade do Minho, a consistir na divulgação pelo meio de cartazes no campus, da fotografia do aluno que se negue a participar nesta prática autoritária.
Desta forma, como podemos aceitar num estado democrático este ritual opressor e arcaico? É possível dizer não, é possível integrar num ambiente de festa participada de igual para igual, onde a liberdade e consciência individual sejam respeitas e valorizadas.

6 comentários:

Anónimo disse...

Concordo com tudo o que escreveste. Sendo aluna do 11º ano, começo-me a preocupar com o assunto. Como é normal, já pesquisei sobre ele, não fiquei muito à vontade é claro...

Mas agora peço-te um favor, ou então considera-o como uma sugestão para um post. Como exactamente é que somos abordados? O que devemos dizer se quisermos negar a praxe? Ou melhor, como dizê-lo de forma a não parecermos "superiores" ou emproados, de maneira a não dar nas vistas nem causar problemas?

Obrigada de já por leres :)

Anónimo disse...

Olá eu sou uma estudante universitária há 5 anos e esta é a segunda universidade que frequento. Em nehuma das duas universidades fui praxada, porque não quis e não foi por isso que deixei de ter amigos ou que deixei de participar em festejos académicos(como me diziam os veteranos). Não é preciso ser arrogante para nos recusarmos a ser praxados, os veteranos tem simplesmente que aceitar **

Anónimo disse...

Olá eu sou uma estudante universitária há 5 anos e esta é a segunda universidade que frequento. Em nehuma das duas universidades fui praxada, porque não quis e não foi por isso que deixei de ter amigos ou que deixei de participar em festejos académicos(como me diziam os veteranos). Não é preciso ser arrogante para nos recusarmos a ser praxados, os veteranos tem simplesmente que aceitar **

Anónimo disse...

Pois, eu para variar sou daqueles que defendo a praxe ( tal como centenas de milhares de outros estudantes )! Fui praxado e também tive os meus receios, no entanto se fosse hoje e pudesse voltar atrás voltaria a ser caloiro e isto com muito gosto! O problema desta questão são determinados exageros que sei que existem nas nossas faculdades! A praxe quando e bem feita e bem regulamentada é divertida é integradora e cabe a mim como " superior herárquico" comunicar e evitar determinados exageros!
A praxe prevê esse tipo de situações(ou devia)! Aliás o caloiro tem todo o direito e dever de comunicar exageros aos orgãos superiores da praxe existentes em toda instituição assim como recusar-se a esse tipo de praxe! O que é facto é que a praxe é uma tradição que se transmitiu tal como tanta outra coisa....tradição pode não estar ligado ao tempo ou local.A tradição cria-se ao longo do tempo e transmite-se. Quanto a liberdade de decisão,ela existe,e como na vida ela é feita de opções.
Eu se me declaro anti praxe sei a partida as consequências que esta decisão traz e então decido se o quero ser ou não.
Pergunto eu se as coisas são assim tão más como descevem porque não ha mais anti-praxe? No meu curso em 8 anos conheci 5 entram 50 todos os anos. Será mesmo assim tão mau? ou tudo não passa de uma questão de egocentrismo e de manias?
Para concluir, e dado que isto tem muito que se diga, a praxe quando é bem feita é engraçada tanto para o caloiro como para quem ta a praxar.

Anónimo disse...

antes de mais....BEIJO GRANDE ÂNGELA.
Depois de muitos anos na universidade (12 e o ultimo como Dux) posso com alguma autoridade dizer o seguinte:
A praxe já foi linda (quando era praxe) todo o terror não passava de brincadeira, e todos se divertiam (alguns demoravam mais tempo a entrar no espirito), MAS, com o passar do tempo a praxe tem vindo cada vez mais (embora não seja só de agora) uma forma de descarregar todas as frustrações acumuladas durante o ano. Veteranos que tocam pivias durante o ano, aproveitam para comer caloiras (ou caloiros) e quando nem com elas totalmente bebadas conseguem fazer nada, descarregam durante os ensinamentos do dia seguinte. Por isso vos digo.... participem na praxe, mas, enquanto esta vos divertir, e nunca deixem que usem a desculpa da capa para vos fazerem qualquer ofensa (fisica ou moral).
Saudações académicas.

Anónimo disse...

expliquem-me só uma coisa: como é suposto o "caloiro" se divertir... se "CALOIRO NÃO RI!"?



Ah! e expliquem-me como é que a praxe é só para quem quer... se (pelo menos na universidade do minho) "dizem", fundamentados gostava de saber em quem, que para te declarares anti-praxe tens de escrever uma carta ao "papa" com motivo de tal tomada de posição, e tens de dar fotografia para ta espetarem em um qq jornal? a sério, estou mesmo interessada em saber.
em que é que a praxe se fundamenta para tal?