Sou jovem num mundo em que a vida parece uma corrida de obstáculos. Onde a injustiça, e a hipocrisia são rotina, onde as obrigações são mais que os (poucos) direitos, onde nos impingem um modelo de vida fabricado, com o pacote completo: hierarquias, dogmas, serviço militar obrigatório, praxes, reality shows, centros comerciais, calças de marca e pipocas. Somos o centro dos anúncios publicitários e somos adultos porque somos mercado.
O ensino não passa de uma paixão platónica, aprende-se mal, muito devagar e à balda, faltam computadores e ginásios. As escolas são penosos momentos de prática diária para professores e estudantes. Não podemos estudar o que gostamos, frequentamos cursos condicionados pelos interesses económicos e pelas saídas profissionais. Prometem-nos escolas gratuitas, mas os estudantes pagam bolsas ao estado (propinas). Tentam-nos impor normas sociais retrógradas, uniformizadoras, e morais conservadores que tentam fazer com que tenhamos medo do nosso corpo e da nossa sexualidade, que dizem que sexo só depois do casamento e para constituir família, que a homossexualidade é uma doença, que o prazer é pecado, que as mulheres não têm direito de decidir sobre o seu corpo, procurando uma maternidade desejada.
O acesso à cultura é condicionado pela disponibilidade financeira de cada um, pois tal como tudo esta foi mercantilizada. É-nos imposto um modelo cultural de massas, que assenta na confusão entre informação e entretenimento e em padrões criativos simplificadores e empobrecidos, mas que garantem o lucro. Acabado o nosso percurso de estudantes, o futuro é o dos estágios profissionalizantes não remunerados, da roleta do emprego e desemprego, dos contratos a prazo e recibos verdes, do trabalho sem garantias e de um eterno adiamento da saída da casa dos pais e da ansiada liberdade.
A ecologia é condicionada pelos interesses económicos e a degradação da qualidade ambiental ocorre a um ritmo galopante: o buraco do ozono, o aquecimento global do planeta, o excesso de poluição atmosférica, o crescimento urbano caótico. O discurso ecológico não passa de enfeite de programa eleitoral.
O problema da toxicodependência nunca afectou de forma tão grave a sociedade como agora, quer pelas suas consequências ao nível da saúde pública, quer pela criminalidade associada. O que leva a constatar a falência das políticas probicionistas e repressoras, e das campanhas de prevenção pobres e demagógicas, como o cartaz com um boneco a dizer que é “feliz sem drogas” ou uma “ piscina contra a droga”. Vivemos numa sociedade que hipocritamente proíbe a erva e o haxixe e aceita o elevado consumo de álcool, que ao contrário destes causa graves problemas de habituação.
Somos jovens num país em que por tal somos tratados como menores pelos seus costumes e leis. Somos adultos porque somos consumidores, mas não temos espaço para nos fazermos ouvir. Em período eleitoral somos animação de campanha, reduzem a nossa participação na vida activa às jotas dos partidos, que servem para obedecer a ordens e imitar modelos.
Apesar de tudo, sei que a realidade em que vivemos não é uma inevitabilidade, que é possível construir alternativas, modos diferentes de viver e de conviver e recusar a ideia de vidas conformadas e passivas. Acredito que é realizável uma política que ultrapasse os limites do possível, feita por todos e para todos. Reclama-se o direito ao sonho e a felicidade.
4 comentários:
alguém disse que para se fazer cinema, não é preciso estudar três anos, antes vale mais fazer uma viagem...
numa outra conversa disseram que só somos realmente livres quando perdemos tudo, principalmente a familia...
Miguel Torga terá dito - numa viagem o que importa é a partida nunca a chegada...
O que me intristesse mais ao ler o teu texto Angela, não são as verdades que dizes - pois não mudo nenhuma virgula - é o vazio que se encontra depois para solucionar os problemas.
Tenho pensado (porque tenho tido demasiado tempo para o fazer) que a liberdade individual de cada um é castrada por esse mesmo individuo. Uma especie de auto-flagelação, como se fossemos todos culpados de alguma coisa. Como se todos fossemos uma especie de cristos, cada um com a sua cruz.
O Michel Houllebecq terá dito qualquer coisa tipo: Não vale a pena preocuparmo-nos em encontrar a felicidade, porque ela não existe.
Termino dizendo que à menina Angela não é qualquer um que lhe enfia o barrete. Por isso dedico-te o Cantico Negro Do José Régio:
Não vou por aí,
Só vou por onde me levam os meus próprios passos
... ...
beijos mil
falas em calças de marca ....mas vejo que te cuidas bem ....já agora cabeleireiras para te fazer penteados in...não falas....onde fazes as tuas compras não é em centro comerciais !!!
drogas ja vi que es a favor..como a tua cor politica...achas que melhoravas o mundo...eu acho que sim para o teu lado...
susana duarte estas a reclamar de que !!!? ninguem te impede de seres feliz ou sonhares,e de o dizer e podes fazer o que te apetecer ....!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
o louça tb diz isso mas compra calças.....camisas...e sei lá ate meias....de marca ......por isso nunca hade chegar lá em cima
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